Minha trilha sonora.

Um dia, quando ainda criança, liguei o rádio e estava tocando uma música sobre uns caras que tinham invadido a cidade de Santos. Aquela voz rouca, aquela atitude na letra, aquele som que dava vontade de pular, minha vontade de ter uma banda favorita… Acho que tudo contribuiu para que aquela música me chamasse tanto a atenção. Ainda vivíamos a década de 90 e naqueles tempos não era tão simples ouvir uma música como nos dias de hoje. Eram horas em frente ao rádio esperando a música tocar novamente. Quando meu primo me emprestou o CD, eu tive certeza: tinha encontrado minha banda favorita. Assim começou a minha coleção. Ano após ano, lá estava eu juntando minha mesada e esperando o dia do novo CD do Charlie Brown Jr chegar ao shopping da cidade. Eu que sempre fui um apaixonado pela escrita, ficava fascinado com o poder que aquele vocalista tinha de colocar os meus sentimentos nas suas letras. Era rock que falava de amor, de aprendizagem, de valores, da vida. Era tudo que um adolescente da década de 90 precisava ouvir. No meu walkman, no meu mp3, no meu pendrive, no som do meu carro, nunca mais faltou uma música deles. Ouvir CBJR para mim é como viajar no tempo, é sentir tudo de novo, é lembrar de coisas que a minha memória limitada por vezes me deixou esquecer. É estranho sentir dor pela morte de alguém que nem sequer sabia que você existia. Eu não sei se você que está agora lendo este texto gostou ou gosta de uma banda assim. Se não aconteceu com você, este texto pode parecer estranho. Eu nunca andei de skate, fui poucas vezes à Santos, mas se algum dia alguém me perguntar qual a banda que marcou a minha vida, eu não terei nenhuma dúvida em dizer. Esse rapaz foi um gênio. Não desses que mudam a ciência e que aparecem nos livros. Gênio dos poucos que conseguem transformar sentimento em música. Se você nasceu nas décadas de 80 e 90, tenho certeza de que em algum momento cantou uma música composta por ele e se identificou com ela. Quisera eu ter 10% do talento que ele tinha, assim este texto aqui estaria saindo bem melhor. Hoje mais uma vez bateu saudade de você, Chorão. O poeta se foi, a poesia ficou. Obrigado pela inspiração contínua e prolongada.


6 de março de 2013

6 respostas para “Minha trilha sonora.”

  1. Isabella disse:

    Perfeito!

  2. Raphaela disse:

    Nossa! Esse texto é tuudoo q senti! Ameii

  3. Aline Lopes disse:

    Alexandre Magno Abraão (Chorão) veio ao mundo para fazer a diferença. Um cara com muita atitude, simplicidade, que nunca será esquecido por aqueles que sempre admiraram seu trabalho. Claro, é difícil entender os caminhos tortuosos em que se envolveu e que resultou uma tragédia. Mas quem somos nós para julgar?
    Das músicas que fazem refletir na vida, que nos tocam a alma, uma das minhas preferidas: “Céu Azul”, “Meu Novo Mundo”, “Ela vai voltar” (valoriza aquele tipo de mulher ingênua e encantadora), “Papo Reto” (escancara o foda-se para aquele tipo de playboy esnobe que não sabe valorizar o que tem).

  4. Michelle disse:

    Você não é o único!

  5. Lucemilia Tavares disse:

    Caaara! Mandou bem demais no texto!!! Chorão. Esse cara pra mim é um mito. Cê disse tudo. Parabéns!

  6. Talita Maia disse:

    Simplesmente perfeito!!! O poeta se foi, a poesia ficou.

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